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O que é isto?
Educação e Cidadania - Metodologia da Pesquisa Científica
 

É proibido copiar

As cópias xerox nas faculdades viraram caso de polícia! De um dia para outro, guardas baixaram nas principais unidades da USP de São Paulo e na PUC, e retiraram as pastas que os professores deixavam para os alunos
copiarem trechos de livros. A Associação Brasileira de Direitos Reprográficos é a responsável pela medida drástica, sob a alegação de pirataria. O diretor presidente da ABDR, justifica a medida: "Se pra fazer valer a lei é preciso do aparelho policial, é o que nós estamos fazendo". E acrescenta que, para ele, isso é questão de
"vagabundagem", e que o "dinheiro gasto em cerveja" deveria ser gasto em livros. "Nós precisamos ter vergonha na cara e dizer: eu sou vagabundo, eu não quero estudar, eu quero o caminho fácil."

Vamos esclarecer as leis: o xerox do livro inteiro é ilegal, viola a lei de direitos autorais, mas de pequenos trechos não. "De acordo com a lei 9.610, artigo 46, não constitui ofensa aos direitos autorais a reprodução, em um só
exemplar, de pequenos trechos para uso privado do copista, desde que feita por este, sem intuito de lucro". Se você for até o xerox de uma faculdade e o responsável se recusar a tirar cópia de uma quantidade baixa de páginas – como fazem as xerocadoras da Metodista e do Mackenzie –, é só apresentar essa lei.

O ponto polêmico é o custo dos livros. "Aqui, ninguém vai comprar todos os livros de que precisa, tem um monte de gente que mora em república, que já não tem grana nem pra tirar a montanha de xerox que os professores pedem". Na Fundação Getúlio Vargas, os livros são habilitados pelo Creative Commons – sistema de licenciamento de obras pela Internet, que possibilita ao autor manter reservados apenas alguns de seus direitos. Através do site www.creativecommons.org, o autor pode, por exemplo, autorizar o download de um livro e mesmo a modificação da obra.

Fonte: Revista Caros Amigos - Edição 97 Texto adaptado para fins didáticos por João José Saraiva da Fonseca


 



 Escrito por João José Saraiva da Fonseca às 19h21 [] [envie esta mensagem]



CÓMO CITAR DOCUMENTOS ELECTRÓNICOS: Extractos de la norma internacional ISO 690-2

 

Para ler um extrato da norma internacional ISO 690-2, sobre a CÓMO CITAR DOCUMENTOS ELECTRÓNICOS clique aqui



 Escrito por João José Saraiva da Fonseca às 12h48 [] [envie esta mensagem]



Da procura da certeza à incerteza

Como alcançar a certeza? Esta é a questão fundamental de René Descartes. Em seu interessantissimo Cosmopolis, S. Toulmin põe  em cena as circunstâncias que levaram Descartes à sua busca de certezas. Sublinha a situação trágica do século XVII, um século de instabilidade política e de guerras de religião. Era em nome de dogmas, de certezas religiosas, que os católicos e os protestantes se matavam uns aos outros. Descartes pôs-se em busca de um outro tipo de certeza, uma certeza que todos os humanos, independentemente de sua religião, pudessem compartilhar. Foi isso que o levou a fazerde seu famoso cogitoo ponto de partida de sua filosofia e a exigir que a ciência fosse fundada nas matemáticas, o único caminho garantido para a certeza. O programa de Descartes foi retomado e modificado por Leibniz, que procurou construir uma linguagem que permitisse chegar a um acordo geral e, portanto, restabelecer a paz entre os homens. Na ciência, a pesquisa das certezas encontrou finalmente sua consumação suprema na noção de "leis da natureza", associada à obra de Newton. Essas leis permaneceram como o modelo para a física durante três séculos.

Existe uma notável analogia entre a análise que Toulmin propõe da situação histórica e existencial da busca cartesiana e aquela de que é testemunha a atitude de Einstein para com a ciência. Para Einstein também, a ciência permitia escapar aos tormentos da existência quotidiana. Ele comparou a vocação cientifica ao "desejo ardente que atrai o habitante da cidade para fora de seu ambiente barulhento e confuso, para as regiões tranqüilas das altas montanhas". Einstein tinha uma concepção profundamente pessimista da vida humana. Vivia numa época trágica da história humana, a época do fascisno, do anti-semitismo e das duas guerras mundiais. Sua visão da física, triunfo último da razão humana sobre um mundo decepcionante e violento, fortaleceu no século :xx a oposição entre o conhecimento objetivo e o terreno do incerto e do subjetivo.

 E no entanto, a ciência concebida por Einstein como aquela que permite escapar das maldições da história ainda representa a ciência de hoje? O cientista não pode, como tampouco o homem urbano, escapar das cidades poluídas indo para as altas montanhas.

As ciências participam da construção da sociedade de amanhã, com todas as suas contradições e suas incertezas. Elas não podem renunciar à esperança, elas que, nos termos de Peter Scott, exprimem da maneira mais direta que "o mundo, o nosso mundo, trabalha sem cessar para estender as fronteiras do que pode ser conhecido e do que pode ser fonte de valor, para transcender o que é dado, para imaginar um mundo novo e melhor". Citei Richard Tarnas já no prefácio deste livro: "a paixão mais profunda da espírito ocidental foi a de reencontrar sua unidade com as raízes de seu ser". Esta paixão levou à afírmação prometéica do poder da razão, mas também pôde ser identifícada ao drama de uma alienação, a uma negação do que constitui a significação e o valor da vida. Estou convencido de que essa mesma paixão é capaz, hoje em dia, de levar a um novo tipo de unidade em nossa visão do mundo, e de que a ciência deve desempenhar um papel importante nessa construção de uma nova coerência.

Fonte: O fim das certezas: Tempo, Caos e as leis da Natureza - Ilya Prigogine Editora UNESP - 1996



 Escrito por João José Saraiva da Fonseca às 22h12 [] [envie esta mensagem]



Metodologia para a leitura de artigos de revista

 

Em primeiro lugar, é absolutamente impossível você saber logo nos primeiros parágrafos se o texto aborda algo novo. Terá que ler até pelo menos a metade. O que proponho é tirar os "entretantos" e anotar as palavras-chaves. Os pressupostos básicos do texto. 

Muitos usam linguagem técnica, mas os mais agradáveis de ler são aqueles em que você se sente à vontade para concordar, refletir ou mentalmente fazer comparações com sua realidade.

Via de regra os artigos com linguagem coloquial e que usam de bom humor, metáforas e pausas ou interrupções para mencionar exemplos, casos e depoimentos são os mais aprovados pelos leitores. Outros apresentam, testes de múltiplas escolhas induzem o leitor a ir até o fim para saber o resultado. Se for bom dizemos: "Eu já sabia". Se não for bom fica sempre a dúvida: será que o autor está certo? É um atrativo para uma próxima leitura.

Agora, preste bem atenção nos pressupostos do texto, nas palavras-chaves e veja como você pode encaixá-las em um conteúdo lógico para entender e verificar o conteúdo. As perguntas abaixo podem ajudar:

- Em que ambiente as idéias podem ser aplicadas?
- Que novas habilidades o autor está trazendo?
- Que comportamentos e atitudes estão sendo propostos?
- No que o autor acredita? Compare com o que você acredita.
- Qual o objetivo final do texto?

Alguns leitores usam uma técnica interessante: se o artigo tem mais de duas folhas deixam-no de lado, lerão quando aparecer aquele tempo extra. Esse tempinho pode nunca aparecer.

As perguntas acima não são regra fixa, você poderá acrescentar outras que satisfaçam suas exigências.

Fonte: Mais um artigo sobre liderança....  de Armando Pastore Mendes Ribeiro (adaptado para fins didáticos por João José Saraiva da Fonseca)



 Escrito por João José Saraiva da Fonseca às 21h42 [] [envie esta mensagem]



Referências para a elaboração de um artigo de pesquisa

 

Leia um conjunto de referências sobre como escrever um artigo de pesquisa.

O texto de autoria de João José Saraiva da Fonseca para fins didáticos, está disponível aqui.

 



 Escrito por João José Saraiva da Fonseca às 15h24 [] [envie esta mensagem]



Guião de questões a responder pelo aluno durante a construção do projeto de pesquisa

 

O que vou pesquisar?

Delimitação do tema e formulação do problema

Para quê vou pesquisar?

Objetivos da Pesquisa

Por quê vou fazer a pesquisa?

Motivação para a realização da pesquisa

Porque a pesquisa é importante?

Relevância da pesquisa

Onde vou pesquisar?

Local onde a pesquisa vai ser realizado

Com quêm vou fazer?

Delimitação das pessoas com quem a pesquisa vai ser relizada

Com quantos vou fazer?

Delimtação do número de pessoas que vão ser pesquisadas

Como vou recolher a informação?

Ferramentas de coleta de dados

Quando vou fazer?

Definição do cronograma de realização de planejamento e execução da pesquisa



 Escrito por João José Saraiva da Fonseca às 10h37 [] [envie esta mensagem]



SENSO COMUM E CONHECIMENTO CIENTÍFICO

 

Texto em que o autor explica SENSO COMUM e CONHECIMENTO CIENTÍFICO apronfunda a discussão sobre o CONHECIMENTO CIENTÍFICO PARA AUGUSTE COMTE e termina relacionando CIÊNCIA E VIDA.

Leia o texto aqui



 Escrito por João José Saraiva da Fonseca às 15h15 [] [envie esta mensagem]



Roteiro de projetos de pesquisa:

Baixe um roteiro para a elaboração de um projeto de pesquisa uitilizado na Universidade de Estadual de Londrina

Clique aqui

 



 Escrito por João José Saraiva da Fonseca às 22h23 [] [envie esta mensagem]



Referências cinematográficas

Referências cinematográficas

"Uma Mente Brilhante"

Endereço do filme

Filme de Ron Howard, com Russell Crowe, Jenifer Connely e Ed Harris. Narra a história verdadeira do génio da matemática John Nash Jr- que com a ajuda de mulher conseguiu lutar contra a esquizofrenia e receber em 1994 pela sua "teoria de Jogos", o prémio Nobel da Economia.

Em 1947 John Forbes Nash jr chegou a Princeton para frequentar o curso de Matemática mas para o "misterioso génio de West Virginia" a adaptação ao ambiente da prestigiada Universidade não é fácil. Alheio às regras de etiqueta e às aulas, a sua única obsessão é a descoberta de uma ideia verdadeiramente original. Essa é, na sua opinião, a única maneira de chamar as atenções. No departamento de matemática de Princeton a competição é grande mas, apesar de o querem ver falhar, os outros alunos s vão tolerando a sua presença e acabam por, inadvertidamente, o ajudar a vencer. Uma noite , num bar local ao observar a competição entre os colegas perante a chegada de uma lindíssima rapariga loura , a ideia que há muito o persegue, torna-se de repente evidente para Nash . Com base no que observa, John Nash cria a "teoria dos jogos" - a matemática da competição- que vai contradizer completamente a doutrina de Adam Smith - o pai da economia moderna.
De repente cento e cinquenta anos de estudos são postos em causa e a vida de Nash muda para sempre.

- "Uma mente brilhante" a história de um génio da matemática

"Uma Mente brilhante", um filme inspirado na vida do matemático John Forbes Nash jr, conta-nos o drama humano deste verdadeiro génio. No inicio da sua vida, o bonito e excêntrico Nash fez uma descoberta que o deixou no limiar da fama internacional. No entanto quando tudo parecia correr da melhor maneira, a sua intuição brilhante começou a ser minada pela esquizofrenia. Encarando desafios a que muitos já sucumbiram, Nash combateu durante várias décadas a doença, com a ajuda da sua mulher Alicia e, depois de muito sofrimento, conseguiu triunfar e receber em 1994, pela sua "teoria dos jogos" o "Prémio Nobel da Economia".
A "teoria de jogos" é um ramo da economia que se ocupa da descrição ou previsão do comportamento económico, usando conceitos e técnicas da disciplina matemática da teoria de jogos. Muitas das decisões de economia são influenciadas pelo comportamento que se espera dos outros agentes económicos.
Esta foi a teoria que valeu, em 1994, ao matemático americano John Nash jr o prémio Nobel da Economia.

Hoje,aos 74 anos , 8 anos depois de ter recebido o prémio nobel John Nash ainda trabalha na sala 910 do edificio do departamento de matemática da Universidade de Princeton e tem uma página na internet através da qual pode ser contactado.
A sua história pode ser encontrada no site do prémio nobel onde o o próprio John Nash nos conta tudo sobre a sua vida e a sua carreira.

Crítica retirada do endereço de internet da Rádio Ranascença



 Escrito por João José Saraiva da Fonseca às 22h20 [] [envie esta mensagem]



Referências de endereços na Internet

Referências de endereços na Internet

Programa Prossiga - Portal brasileiro de pesquisa em ciência e tecnologia.

Grupo de História e Teoria da Ciência - Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP)

Ciência Viva - Projeto do Ministério da Ciência e Tecnologia de Portugal

Ciência e Tecnologia em Portugal - Página do Ministério da Ciência e Tecnologia de Portugal

A Ciência é Divertida - Endereço português sobre ciência.

A Propósito de Ciência - Artigos sobre Ciência e Tecnologia.

Ministério da Ciência e Tecnologia
Ministério da Ciência e Tecnologia do Brasil.

Ministério da Ciência e Tecnologia
Ministério da Ciência e Tecnologia de Portugal.

 



 Escrito por João José Saraiva da Fonseca às 22h17 [] [envie esta mensagem]



Metodologia da Pesquisa Científica VII - Ciência e Arte (continuação)

Foi decerto uma honra para mim ter encontrado Benoît Mandelbrot durante a sua primeira visita a Portugal. Foi também um prazer ter colaborado com José Luis Malaquias Lima na tradução para português, publicada pela Gradiva, de um trabalho que vai permanecer como um marco na bibliografia científica do século XX. Pela primeira vez, o neologismo "fractal", que significa partido, fragmentado, entrou na capa de um livro em português.

Embora para o artista Pessoa arte e ciência fossem bem distintas (ele escreveu nas suas "Páginas sobre Estética" que "a ciência descreve as coisas como elas são; a arte descreve as coisas como elas são sentidas"), é interessante que ele tenha chegado a idêntica metáfora sobre a relação de equações com esculturas que alguns cientistas. De facto, o matemático G. N. Watson, professor inglês que passou a sua vida a tentar demonstrar as expressões bem complexas encontradas nos cadernos de notas do génio indiano Ramanujan, afirmou numa comunicação em 1937 (repare-se na data) à Sociedade
Matemática de Londres:
"Exprimiria a minha atitude [relativamente ao trabalho de Ramanujan] com maior prolixidade dizendo que uma fórmula como [expressão complexa de Ramanujan] me dá uma sensação que é indistinguível daquela que sinto quando entro na Sagrestia Nuova da Capella Medicee [em Florença] e me vejo diante da beleza austera do Dia, da Noite, da Tarde e do Crepúsculo, que Miguel Ângelo esculpiu sobre os túmulos de Giulíano e Lorenzo de Medici".

As esculturas em causa são magníficas, perfeitas mesmo, mas de facto austeras e frias.
Um outro matemático inglês, Bertrand Russel (talvez mais conhecido pela sua actividade filosófica) já tinha escrito em 1918 na sua obra "Misticismo e Lógica": "A Matemática, quando bem vista, possui não apenas verdade mas uma beleza suprema uma beleza fria e austera como a de uma escultura".

Alguns autores tentaram generalizar a semelhança entre a matemática e as artes plásticas, nomeadamente a escultura, apontada independentemente por Pessoa, Watson e Russeli. O matemático polaco Jacob Bronowski (talvez mais conhecido como historiador e crítico de ciência) escreveu no seu ensaio "Ciência e Valores Humanos": "Quando Coleridge tenta definir beleza, regressa sempre a um pensamento simples e profundo: a beleza é 'unidade na diversidade'. A ciência não é mais do que a busca da unidade na variedade desordenada da Natureza ou, mais exactamente, na diversidade da nossa própria experiência. A poesia, a pintura, as artes em geral, são o mesmo".

A relação entre ciência e arte é, portanto, uma de identidade, se não na metodologia pelo menos nos fins últimos.

Mas a beleza matemática que é evidente na fórmula de Newton, nas séries de Ramanujan e até nos teoremas de Russel não é facilmente capturável por diletantes. Um processo árduo de aprendizagem é necessário para dominar a linguagem. Sem essa aprendizagem, a Matemática e a arte parecem divorciadas uma da outra.

Foi nos anos 70 que Mandelbrot publicou o seu estudo sobre o conjunto que hoje possui o seu nome. Como esse conjunto, muitos objectos, naturais e artificiais, apresentam uma bela simetria: as suas partes são semelhantes ao todo. Esses objectos foram denominados "objectos fractais" por Mandelbrot e a sua análise é o objecto do livro com esse título. É difícil encontrar fractais sem se ficar seduzido. Fica-se tocado pela sua estranha beleza, algo que é melhor sentido do que enunciado. No entanto, alguns desses fractais, como o próprio conjunto de Mandelbrot, exprimem-se por uma fórmula muito simples, que pode mesmo ser compreendida por alguém de posse apenas de Matemática elementar.

Com Mandelbrot a estética encontra a ciência não apenas de uma forma vaga, metafórica. Ao procurar fazer ciência, produziu obras que muitos, incluindo artistas profissionais, não hesitam em chamar arte. O computador revelou-se o instrumento reunificador da Matemática e a arte.

Se aceitarmos a definição de Samuel Coleridge, a beleza é "unidade na diversidade", devemos notar que uma boa conformidade das partes com o todo é fornecida pela propriedade de auto-semelhança das figuras fractais. Mas, se preferirmos a definição de John Keats, "beleza é verdade", devemos notar o número extraordinário de objectos fractais que são descritos pela geometria fractal. Numa nuvem, os flocos são pequenas cópias do todo. Num agregado de galáxias, as galáxias são também cópias do todo. Não admira que os fisicos tenham tomado os fractais em suas mãos e os tenham aplicado por todo o lado.

Os fractais, que pertencem à ciência do século XX, são belos e verdadeiros. Parecem, porém, estranhos como, de resto, alguma da arte desse século. O mundo fractal exemplificado no conjunto de Mandelbrot lembra-nos as estranhas pinturas de Vladimir Kandinsky
ou de Henri Michaux mais do que as clássicas esculturas dos gregos ou de Miguel Ângelo. Algumas teorias da informação estética consideram a surpresa como uma marca do génio numa obra de arte. Esta obra deve ser suficientemente equilibrada para transmitir uma impressão de harmonia mas também deve ser suficientemente provocadora para atrair a atenção do público. Um objecto de arte deve ter uma proporção mas deve também ter um elemento inusual que desfigure a proporção. Muitas obras de arte moderna, inspiradas nos fractais, constituem bons exemplos desta asserção.

A geometria fractal poderá parecer estranha pelos padrões da geometria euclidiana, da ciência mais tradicional. Mas, adoptando uma frase de Pessoa, podemos de inícïo achá-la estranha de início mas, depois, entranhamo-la. "Primeiro estranha-se e depois... entranha-se". A estranheza científica sempre foi bemvinda quando a ciência se revelou excelente.

O que está, afinal, o estranho a fazer tanto na arte como na ciência? Precisamos de invocar Francis Bacon, não o pintor moderno mas sim o Lorde Chanceler inglês que nos séculos XVI e XVII teorizou o método científico, para compreender o propósito do estranho. Ele escreveu: "Toda a beleza excelente contém alguma estranheza no selo da proporção". A excelência exige a presença do estranho na arte. Mas o mesmo se passa na ciência.



 Escrito por João José Saraiva da Fonseca às 22h17 [] [envie esta mensagem]



Metodologia da Pesquisa Científica VII - Ciência e Arte (continua)

Ciência e Arte

Carlos Fiolhais (Professor do Departamento de Física da Universidade de Coimbra)

"O binómio de Newton é tão belo como a Vénus de Milo. O que há é pouca gente para dar por isso (...)" (Álvaro de Campos)

Fernando Pessoa, sob o pseudónimo de Álvaro de Campos, escreveu em 1935 um pequeno poema sobre a relação entre a Matemática e a arte:
"O binómio de Newton é tão belo como a Vénus de Milo. O que há é pouca gente para dar por Isso (...)".

Toda a gente conhece, de facto, a famosa estátua sem braços mas a fórmula do binómio de Newton não goza da mesma popularidade.

Foi este poema que tomei a liberdade de parafrasear no final do prefácio que escrevi em 1991 para a primeira edição portuguesa (já há, desde há dois anos, segunda edição) de "Objectos Fractais", um livro do matemático de origem polaca, francês, mas a trabalhar nos Estados Unidos Benoît Mandelbrot. A versão do prefácio era:
"o conjunto de Mandelbrot é tão belo como a Vénus de Milo. E há cada vez mais gente a dar por isso".

(continua)



 Escrito por João José Saraiva da Fonseca às 22h16 [] [envie esta mensagem]



Metodologia da Pesquisa Científica VI - O conhecimento científico (continuação)

O conhecimento científico é comunicável: não é inefável, mas expressável; não é privado, mas público. A linguagem científica comunica informações a quem quer que tenha sido preparado para a entender. (...) O que é inefável pode ser próprio da poesia ou da música, não da ciência, cuja linguagem é informativa e não expressiva ou imperativa. (...)
O conhecimento científico é verificável: deve passar pelo exame da experiência. Para explicar um conjunto de fenómenos, o cientista inventa conjecturas fundadas de algum modo no saber adquirido. As suas suposições podem ser cautelosas ou ousadas, simples ou complexas; em todo o caso, devem pôr-se à prova. O teste das hipóteses fácticas é empírico, isto é, observacional ou experimental. (...) Nem todas as ciências podem experimentar; e em certas áreas da astronomia e da economia, alcança-se uma grande exactidão sem ajuda da experimentação. (...)
A investigação científica é metódica: não é errática, mas planeada. Os investigadores não tacteiam na obscuridade; sabem o que buscam e como o encontrar. A planificação da investigação não exclui o azar; só que, ao deixar lugar para os acontecimentos imprevistos, é possível aproveitar a interferência do azar e a novidade inesperada. (...)
Todo o trabalho de investigação se baseia no conhecimento anterior e, em particular, nas conjecturas melhor confirmadas. (...) Mais ainda, a investigação procede de acordo com regras e técnicas que se revelaram eficazes no passado, mas que são aperfeiçoadas continuamente, não só à luz de novas experiências, mas também de resultados do exame matemático e filosófico.
O conhecimento científico é sistemático: uma ciência não é um agregado de informações desconexas, mas um sistema de ideias ligadas logicamente entre si. Todo o sistema de ideias, caracterizado por um certo conjunto básico (mas refutável) de hipóteses peculiares, e que procura adequar-se a uma classe de factos, é uma teoria. (...)
O carácter matemático do conhecimento científico -- isto é, o facto de ser fundado, ordenado e coerente -- é que o torna racional. A racionalidade permite que o progresso científico se efectue não só pela acumulação gradual de resultados, mas também por revoluções. (...)
O conhecimento científico é geral: situa os factos singulares em hipóteses gerais, os enunciados particulares em esquemas amplos. O cientista ocupa-se do facto singular na medida em que este é membro de uma classe, ou caso de uma lei; mais ainda, pressupõe que todo o facto é classificável, o que ignora o facto isolado. Por isso, a ciência não se serve dos dados empíricos -- que sempre são singulares -- como tais; estes são mudos enquanto não se manipulam e convertem em peças de estrutura teóricas. (...)
O conhecimento científico é legislador: busca leis (da natureza e da cultura) e aplica-as. O conhecimento científico insere os factos singulares em regras gerais chamadas "leis naturais" ou "leis sociais". Por detrás da fluência ou da desordem das aparências, a ciência factual descobre os elementos regulares da estrutura e do processo do ser e do devir. (...)
A ciência é explicativa: tenta explicar os factos em termos de leis e as leis em termos de princípios. Os cientistas não se conformam com descrições pormenorizadas; além de inquirir como são as coisas, procuram responder ao porquê: porque é que ocorrem os factos tal como ocorrem e não de outra maneira. A ciência deduz as proposições relativas aos factos singulares a partir de leis gerais, e deduz as leis a partir de enunciados nomológicos ainda mais gerais (princípios).
O conhecimento científico é preditivo: transcende a massa dos factos de experiência, imaginando como pode ter sido o passado e como poderá ser o futuro. A previsão é, em primeiro lugar, uma maneira eficaz de pôr à prova as hipóteses; mas também é a chave do controlo ou ainda da modificação do curso dos acontecimentos. A previsão científica, em contraste com a profecia, funda-se em leis e em informações específicas fidedignas, relativas ao estado de coisas actual ou passado. (...)
A ciência é aberta: não reconhece barreiras a priori, que limitem o conhecimento: Se o conhecimento fáctico não é refutável em princípio, então não pertence à ciência, mas a algum outro campo. As noções acerca do nosso meio natural ou social, ou acerca do nosso eu, não são finais; estão todas em movimento, todas são falíveis. Sempre é possível que possa surgir uma nova situação (novas informações ou novos trabalhos teóricos) em que as nossas ideias, por firmemente estabelecidas que pareçam, se revelem inadequadas em algum sentido. A ciência carece de axiomas evidentes; inclusive, os princípios mais gerais e seguros são postulados que podem ser corrigidos ou substituídos. Em virtude do carácter hipotético dos enunciados de leis, e da natureza perfectível dos dados empíricos, a ciência não é um sistema dogmático e fechado, mas controvertido e aberto. Ou melhor, a ciência é aberta como sistema, porque é falível, por conseguinte, capaz de progredir.

ABRUNHOSA, Maria Antónia; LEITÃO, Miguel - Um outro olhar sobre o mundo. Porto: Edições Asa, 1998



 Escrito por João José Saraiva da Fonseca às 22h14 [] [envie esta mensagem]



Metodologia da Pesquisa Científica VI - O conhecimento científico (continua)

O conhecimento científico

Texto de M. Bunge intulado: "La ciencia, su método", publicado no livro de Maria Antónia Abrunhosa e Miguel Leitão: "Um outro olhar sobre o mundo", (p. 215-217).

O conhecimento científico é fáctico: Parte dos factos, respeita-os até certo ponto e sempre retorna a eles. A ciência procura descobrir os factos tais como são, independentemente do seu valor emocional ou comercial: a ciência não poetiza os factos. Em todos os campos, a ciência começa por estabelecer os factos: isto requer curiosidade impessoal, desconfiança pela opinião prevalecente e sensibilidade à novidade. (...)
Nem sempre é possível, nem sequer desejável, respeitar inteiramente os factos quando se analisam, e não há ciência sem análise, mesmo quando a análise é apenas um meio para a reconstrução final do todo. O físico perturba o átomo que deseja espiar; o biólogo modifica e pode inclusive matar o ser vivo que analisa; o antropólogo, empenhado no seu estudo de campo de uma comunidade, provoca nele certas modificações. Nenhum deles apreende o seu objecto tal como é, mas tal como fica modificado pela suas próprias operações. (...) O conhecimento científico transcende os factos: põe de lado os factos, produz factos novos e explica-os. O senso comum parte dos factos e atém-se a eles: amiúde, limita-se ao facto isolado, sem ir muito longe no trabalho de o correlacionar com outros, ou de o explicar. Pelo contrário, a investigação científica não se limita aos factos observados: os cientistas exprimem a realidade a fim de ir mais além das aparências; recusam o grosso dos factos percebidos, por serem um montão de acidentes, seleccionam os que julgam relevantes, controlam factos e, se possível, reproduzem-nos. Inclusive, produzem coisas novas, desde instrumentos até partículas elementares; obtêm novos compostos químicos, novas variedades vegetais e animais e, pelo menos em princípio, criam novas regras de conduta individual e social. (...)
Há mais: o conhecimento científico racionaliza a experiência, em vez de se limitar a descrevê-la; a ciência dá conta dos factos, não os inventariando, mas explicando-os por meio de hipóteses (em particular, enunciados e leis) e sistemas de hipóteses (teorias). Os cientistas conjecturam o que há por detrás dos factos observados e, em seguida, inventam conceitos (como os de átomo, campo, classe social, ou tendência histórica), que carecem de correlato empírico, isto é, que não correspondem a perceptos, ainda que presumivelmente se referem a coisas, qualidades ou relações existentes objectivamente. (...)
A investigação científica é especializada: uma consequência da focagem científica dos problemas é a especialização. Não obstante a unidade do método científico, a sua aplicação depende, em grande medida, do assunto; isto explica a multiplicidade de técnicas e a relativa independência dos diversos sectores da ciência. (...) A especialização não impediu a formação de campos interdisciplinares, como a biofísica, a bioquímica, a psicofisiologia, a psicologia social, a teoria da informação, a cibernética ou a investigação operacional. Contudo, a especialização tende a estreitar a visão do cientista individual (...).
O conhecimento científico é claro e preciso: os seus problemas são distintos, os seus resultados são claros. (...) A ciência torna preciso o que o senso comum conhece de maneira nebulosa. (...)    (Continua)



 Escrito por João José Saraiva da Fonseca às 22h13 [] [envie esta mensagem]



Metodologia da Pesquisa Científica V - Texto sobre ciência (continuação)

Foi uma sequência de acasos felizes. Um passeio descontraído pelo Central Park, uma decisão casual de visitar o planetário, o acaso de aí se encontrar de passagem uma exposição de instrumentos científicos, um erro na legenda, seguido da referência ao museu onde se encontrava o original - esta sucessão de casualidades levou o especialista português a descobrir o único exemplar de nónio hoje conhecido. "De todos os acasos felizes que até hoje me aconteceram", conclui o comandante, "este foi o de maior serendipidade!"
Estácio dos Reis está a utilizar uma palavra nova, que ainda não entrou nos nossos dicionários. Mas trata-se de uma palavra há muito existente na língua inglesa. Amorim da Costa, na sua obra "Introdução à História e à Filosofia das Ciências", de 1984, utilizava já esse termo em português, mas ele não é ainda muito conhecido entre nós. Ao contrário de muitas palavras cuja origem se perde na bruma dos tempos, a origem de "serendipidade" pode ser datada com precisão. Foi exactamente em 28 de Janeiro de 1754 que Sir Horace Walpole, um escritor inglês hoje conhecido sobretudo pela sua correspondência, propôs pela primeira vez essa palavra. Numa carta então escrita ao seu amigo Horace Mann, descreve a sorte que teve em encontrar uma pintura antiga: "Esta descoberta é quase daquele tipo a que chamarei serendipidade, uma palavra muito expressiva, a qual, como não tenho nada de melhor para lhe dizer, vou passar a explicar: uma vez li um romance bastante apalermado, chamado 'Os Três Príncipes de Serendip': enquanto suas altezas viajavam, estavam sempre a fazer descobertas, por acidente e sagacidade, de coisas que não estavam a procurar…"
Foi assim que, de uma ficção imaginada em Serendip, antigo nome de Ceilão e actual Sri Lanka, nasceu esta moderna palavra. Durante algum tempo, o vocábulo viveu na semiobscuridade. Recentemente, o seu uso passou a generalizar-se. Em língua inglesa, há várias obras publicadas sobre a serendipidade científica, nomeadamente "The Stars and Serendipity", de Robert S. Richardson (Nova Iorque, Pantheon, 1971), e "Serendipity: Accidental Discoveries in Science", de Royston M. Roberts (Nova Iorque, Wiley, 1989). O termo tem-se generalizado e entrou de tal forma no vocabulário que há restaurantes e lojas com esse nome - espera-se que os clientes aí façam descobertas felizes. Para Umberto Eco, no entanto, o vocábulo é tema de "excursões em erudição", como confessa numa colecção de ensaios que publicou nos Estados Unidos com o título "Serendipities: Language and Lunacy" (Nova Iorque, Harvest, 1998).
Há serendipidades científicas famosas, tais como o banho de Arquimedes, a maçã de Newton e o bolor nos cadinhos de Fleming. Assim como há serendipidades históricas conhecidas de todos, tais como a viagem de Cristóvão Colombo, que encontrou um novo continente enquanto procurava a Índia.
Ao que se conta, Arquimedes tinha sido encarregue pelo Rei de Siracusa de investigar a densidade de uma coroa de ouro que este tinha mandado construir, a fim de verificar se a coroa era de ouro puro ou se tinha misturado algum outro metal que a tornasse menos densa. Pesar a coroa era simples, o problema era medir o seu volume, de forma a conseguir verificar se o peso correspondia ao de uma coroa de ouro puro. Arquimedes, que tinha desenvolvido formas de calcular o volume de alguns sólidos, não sabia como medir o volume de um sólido tão irregular. Quando entrava no banho, reparou que a água da banheira transbordou e percebeu que o volume de líquido deslocado correspondia ao volume do seu próprio corpo imerso na água. A partir daí, era fácil medir o volume da coroa: bastava imergi-la em água e medir o volume de líquido deslocado. Ao que se diz, a descoberta tê-lo-á surpreendido tanto que saltou da banheira e correu pelas ruas da cidade gritando "Eureka! Eureka!" - "Descobri! Descobri!"
Conta-se também que Newton foi levado a descobrir a Lei da Gravitação Universal por uma queda fortuita de uma maçã, que se teria registado mesmo à sua frente, numa tarde em que tomava chá no jardim. Pensando no motivo que levaria a maçã e ser atraída para a Terra, o físico inglês pensou que essa força de atracção poderia ser a mesma que mantinha os planetas em órbitas estáveis.
Já no nosso século, Alexander Fleming foi levado a descobrir a penicilina ao verificar que algumas culturas de bactérias que estudava morriam quando um certo tipo de bolor se desenvolvia nessas culturas. Estudando os constituintes desse bolor, veio a isolar o primeiro antibiótico. Foi assim que o médico escocês fez uma das descobertas mais importantes dos tempos modernos. Talvez mesmo a descoberta que mais influenciou a vida moderna.
Em todos estes casos, tais como em centenas ou milhares de outros, houve cientistas que foram levados a descobertas fundamentais por acontecimentos fortuitos que souberam aproveitar habilmente. Como dizia Walpole, foram descobertas provocadas "por acidente e sagacidade". O acaso terá desempenhado um papel fundamental em todos estes acontecimentos felizes, mas é evidente que foi preciso o génio e a perspicácia dos investigadores para que esses acasos se tivessem transformado em descobertas. Pasteur, ele próprio bafejado várias vezes pela serendipidade, disse-o melhor do que ninguém: "No campo da observação, o acaso favorece apenas as mentes preparadas." Mais recentemente, o físico norte-americano Joseph Henry voltou a expressar a mesma ideia dizendo: "As sementes da descoberta flutuam constantemente à nossa volta, mas apenas lançam raízes nas mentes bem preparadas para as receber."
A descoberta do único nónio sobrevivente foi provocada por acasos felizes, mas foi precisa a sagacidade e persistência de um especialista experimentado como o é Estácio dos Reis para transformar esses acasos numa descoberta.



 Escrito por João José Saraiva da Fonseca às 22h12 [] [envie esta mensagem]




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